Pensamentos sobre “Live in Liverpool”

Lançar um disco ao vivo hoje em dia é algo que não passa pela cabeça de ninguém, principalmente nas dos artistas que importam. No passado, sem a menor dúvida, o próximo disco do Arcade Fire seria um óbvio disco ao vivo. No mesmo passado, a regra de 3 discos de estúdio para 1 ao vivo era vigente e funcionava. Por um simples motivo: as pessoas tinham curiosidade.

O mundo não era conectado como é hoje, onde uma banda islandesa faz um show no México e, no dia seguinte, um tailandês faz o download do show. Ou ainda mais extremo: horas depois do show o mesmo está no You Tube, com uma qualidade que com certeza consegue saciar os instintos mais urgentes dos fãs. Os fãs eram o pilar de sustentaçãod este item chamado disco ao vivo. Se tornaram a verdadeira representação de uma banda como é o caso de “Kick Out The Jams” do MC5, “Alive” do Kiss ou ainda “Frampton Comes Alive” de Peter Frampton, e nestes casos, ultrapassaram a barreira “material para fã” para receber até playlist em certas rádios(que em via de regra, nunca tocava faixas retiradas de álbums ao vivo). Em tempos pré-globalização e limitada comunicação, a única maneira de imaginar como era um show do seu artista favorito era um disco ao vivo. Pense sobre o começo dos anos 70, um garoto comprando o “4 Way Street” do Crosby, Stills, Nash & Young e imaginando aquele show, que poderia nunca chegar em seu país (exemplo: o Brasil só entrou na rota dos shows internacionais nos anos 80) ou por causa da idade/censura. O disco ao vivo era parte da criação de uma mitologia de uma banda.

O último suspiro do disco ao vivo foi o Acústico MTV, uma jogada de marketing incrível aonde álbum, vídeo e uma intensa campanha tinha como propósito levantar a carreira de um artista ou dar um direcionamento novo para a mesma. Desde então, pára e pensa sobre o último disco ao vivo que importou?

Isto tudo veio à tona por causa de “Live In Liverpool” do Gossip, um disco que já nasce morto. Primeiro porque hoje em dia ninguém precisa de uma gravadora para gravar um show e mostrar como é uma banda… as pessoas fazem isso diariamente e gratuitamente, selecionam concertos, com repertórios tão bons quanto este do Gossip em uma questão de horas. A maioria das resenhas de “Live In Liverpool”, falam sobre a versão da música da Allyah e “Careless Whispers”, do Wham, e todas comentavam o fato de ambas circularem na internet a um razoável tempo.

Se existe uma banda que ao vivo é uma verdadeira experiência, esta banda é o Gossip. Mas hoje em dia, depois do sucesso de “Standing In The Way Of Control”, ter como próximo passo um disco ao vivo é um tanto quanto confuso. No passado, “Live In Liverpool” seria a consagração do Gossip, mas hoje em dia, é mais um item que comprova a lentidão da indústria em entender o que está acontecendo.

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