There’s really nothing to understand, let’s go and see our favorite band…

Notícia quente hoje em dia é uma notícia sobre um show. Ninguém mais fica entusiasmado com a notícia sobre um disco novo… se data de lançamento é dia 1 de agosto, no dia 15 de maio o disco já vazou, já perdeu a graça. Antigamente quem tinha um promo de um disco era a pessoa mais conectada do universo. Quando a internet já dava sinais de que iria ser um problema(ou solução, escolha um lado), começaram a criar CDs advance com marca d’água para evitar a pirataria. Caso clássico foi na época do segundo disco do Franz em que 10 CD-Rs com marca d’água foram feitos, eu recebi um e fiquei com medo, não queria ser responsável por um problema. Duas semanas depois o disco já estava na internet… um funcionário da Domino tinha esquecido o CD no metrô.

Mas o ponto é que tudo mudou. Hoje em dia as bandas terminam o disco em um dia e lançam no outro é a únca maneira de tentar minimizar este probblema. Então o que sobrou? O que pode criar esta antecipação que é tão necessária na venda de qualquer produto? Um show, uma tour, o line-up de um festival. Uma simples olhada nos principais sites e blogs do mundo todo é suficiente para chegar a conclusão de que o show é o produto principal da indústria musical. Como no passado, as bandas lançam discos para fazer shows e não o contrário do que aconteceu nos anos 70, 80 e 90 quando o show promovia um disco. Isto acabou. Você dá um disco de graça para encher o seu show é ali que está dinheiro. Hoje a venda de discos é quase marginal. Ainda existe mercado para discos no exterior, no Brasil isso está praticamente parando. Quando eu falo mercado é vender 5000 discos de uma banda, não 500. Antes até o Yo La Tengo vendia 10.000 discos! Aonde estão estas 10.000 pessoas? Em shows… todo mundo vai em show. E não só em São Paulo, é só perguntar quantos discos a Monstro vende em Goiânia versus o público do Noise e da Bananada.

O grande momento da virada para mim foi o show do Arcade Fire no Rio de Janeiro. Eu tinha acabado de lançar o disco no Brasil(com atraso) e não imaginava como seria a reação do público. Quando os primeiros acordes de Wake Up começaram, a platéia toda estava cantando, todo tinha baixado do disco.

Antigamente era comum um promotor de show ligar e falar: se você lançar tal disco eu trago a banda para tocar aqui. Dá uma olhada no Tim e no Terra do ano passado? Quais bandas tinham discos lançados aqui?

O grande problema? Nenhum… tirando o fato de que como o foco mudou, a imprensa acompanhou a mudança. O formato do disco, de 12 faixas, com capa e letra acabou. Ninguém mais sabe quem é o produtor, quem tocou e qual selo lançou, este tipo de informação faz sentido apenas para um seleto grupo de nerds que não vivem sem isso. Por causa disso, a imprensa perdeu muito… com discos sendo lançados existia um motivo para entrevistar um artista

No dia que o Tim anunciar sua escalação, o UOL poderia fazer um teste: monitorar todos os downloads dos próximos meses e ver quantas pessoas vão baixar arquivos das bandas que vem.