You No Go Die Unless

Não consigo recordar examente da data, mas algo como outono de 2003. Stephen(Pastel) lembra que o Future Pilot A.K.A. vai tocar, mas em suas palavras “tudo bem se a gente não for, porque com o Future Pilot, as vezes é o melhor show do mundo e as vezes é o pior”, a localização é improvável(é a “semana do carnaval em Glasgow”) e ainda chove… ambiente perfeito para tudo dar errado.

Mas é exatamente o contrário que acontece. O lugar não está cheio, mas também não está vazio e Sushil, líder do Future Pilot A.K.A. e figura lendária(de uma cidade em que absolutamente todo mundo é lendário) está relaxado ao ponto de convidar crianças para dançar no palco e cantar um rap sobre a nova ordem mundial. Show absolutamente perfeito.

A razão de lembrar tudo isso é porque raramente você se depara com este tipo de atitude na música atual. Ao sair de casa, parece que cada banda, cada integrante da mesma está com uma agenda tão calculada que todos os passos estão mapeados… por isso que aquela linha invisível que divide o palco e o público parece ficar cada vez maior, cada vez mais intensa. Sinto falta deste espírito de que você pode entrar em um show e a banda fazer ou o melhor ou o pior show de todos os tempos, porque parece que a música hoje em dia se arrasta neste meio termo, aonde você não tem a sua vida balançada por um show/disco/banda.

E não espere o tradicional discurso de que antes era melhor… não é bem isso. Hoje em dia que as bandas tem informação e tecnologia para simplesmente destruirem em shows/discos, isso não acontece por um simples motivo: falta CULHÕES. Porque ninguém se interessa em arriscar. Então me explica por que uma banda sai de casa na sexta feira para fazer um show se não for para se matar no palco? Estamos falando de bandas independentes iniciantes, possivelmente metade dos integrantes tem emprego, casa, contas pagas e não depende do dinheiro da banda para fazer nada, aquilo paga as cervejas… então porque subir no palco e se comportar como a maioria das bandas? Porque entrar no estúdio para gravar um disco qualquer? Quando eu paro e penso nisso eu tenho vontade de parar tudo e ir para um sítio e plantar café orgânico, porque a coisa está preta.

O grande problema é que é tanta mediocridade e ela não vem só das bandas, mas de todo um sistema(estúdios, casas de shows, promotores de shows, festivais, jornalistas, revistas, zines, blogs, selos…) que gira em torno. Parar para pensar nisso é quase uma loucura, daria para escrever uma tese…

No meio da loucura, pronto para pegar um carro e subir a serra, você para e lembra do Do Amor… e tudo fica certo.