Fernanda Porto… caramba aonde você foi parar? A verdade é que como em qualquer relacionamento, a gente idealiza muitas coisas. Por um instante, cerca de um ano, esta artista era a tradução da modernidade para as massas; e isto, não era mentira. Os 100.000 discos(bons tempos…) vendidos, provaram por A + B que o público queria exatamente o que estava sendo oferecido.
Mas sim, quem sabe minha relação com ela era idealizada. Porque no fundo no fundo, era óbvio que este verniz fino que cobria a Fernanda, a tal “modernidade” era na verdade um camada fina de poeira. O começo dos anos 2000 fizeram o tal “brazilian drum & bass” que tinha nascido na Toco(aonde o LFO era hit!) fazer uma ponte com Londres, aonde Marky(até hoje o único Brasileiro a chegar no top 20 da parada de inglesa) e Patife tiraram leite de pedra, passaram fome e sofreram para abrir este caminho. Fernanda representava o “post-brazilian drum & bass” ou algo do tipo… graças a um remix do Patife(na verdade feito pelo seu braço direito XRS, AKA Xerxes, seguindo a tradição fundamental do dub em que o DJ tem o seu sidekick que garante o jogo), incluído no mítico Brazilian EP lançado em 2001.
Por um tempo, Fernanda representou a cara do drum & bass, uma garota que as vezes empunhava um violão, cantava macio… ou seja, era a calçada de Copacabana nas ruas de Brixton. Mais uma vez… perfeito. E as pessoas começaram a notar é claro, logo era o papo dos modernos e tudo estava no lugar para sua carreira ir de vento e popa. A não ser por um único detalhe… Fernanda Porto não era drum e nem bass, mas sim uma cantora de MPB clássica e careta.
Da mesma maneira que tudo parecia certo, sua descida foi brutal. Erros seguidos de erros… um segundo disco que não teve a menor direção(começando pela equivocada capa) e repertório que mostrava a…. verdadeira Fernanda. Nem o primeiro single, um dueto com Chico Buarque(a única música drum & bass do disco) foi suficiente para segurar a onda. De 100.000 discos, ela passou para 20% deste montante… todo mundo que estava do seu lado, mudou de assunto na mesma velocidade(e com razão). Obviamente um livro sobre o drum & bass brasileiro(e o seu colapso) poderia ser escrito com extrema facilidade(para uma idéia melhor sobre o assunto, o livro da Cláudia Assef continua sendo a referência), de como todos os personagens envolvidos acabaram em situações similares… dando um desconto para Marky e Patife que entraram neste mundo, que querendo ou não tem sobrevida assim como em outros estilos(alguém pensou em góticos?). Para mim o último prego nesta cultura foi quando o Malboro tirou a quarta feira do Marky na Lov.e, este foi o fim declarado desta época(e eu jurava na época que quando o grime e o dubstep chegassem no Brasil, a coisa iria ficar brutal… pena, parecia que tudo estava no lugar)
O que me levou a escrever sobre a Fernanda Porto(eu sei que soa bizarro ler sobre ela aqui), foi ter assistido a mesma em um destes programas da tarde, aquele tipo de programa de mãe e vovó, divulgando seu novo disco ao vivo. Tudo errado: suas roupas, sua música… mas era a boa e velha Fernanda Porto. Pelo menos ela não está envolvida com a new rave paulistana, então ponto para ela.